À medida que envelheço percebo que o tempo é implacável, e esse fato me remete a muitas dúvidas que não encontrei respostas. Não estou aqui querendo resposta para todas as perguntas, mas à medida que envelheço percebo que viver supera em muito, as questões e respostas. Certas ou erradas? Não deixa de ser outra questão complicada. Para mim sentir, às vezes, tem muito mais significado do que uma resposta teórica sobre tal coisa, fato ou ação.

domingo, 25 de março de 2007

Imensidão



Na semana passada estava assistindo a um filme, era de madrugada, estava com insônia.

Este filme contou a história de um menino que nasceu em 1900, num navio transatlântico e logo em seguida foi abandonado neste.

O navio segundo o filme era um pouco menor que Titanic.

Esse menino foi então criado por um negro que o achou enrolado logo após o desembarque dos passageiros, o negro que trabalhava na casa de máquinas do transatlântico, ajudado por outros tripulantes... batizaram o menino de “Mil e Novecentos”, isso mesmo deram o nome ao menino do ano em que ele nascera.

Para resumir muito à história devido ao pouco espaço que tenho para escrever aqui, esse garoto viveu e morreu aos quarenta e poucos anos nesse navio sem ter nunca saído de dentro dele.

O mais próximo que ficou do navio foi exatamente na metade da escada de desembarque. Sabe por quê?

Porque um imigrante italiano que viajava no navio para os Estados Unidos lhe contou em uma conversa casual que havia perdido quase toda a sua família e tudo o que tinha de bens materiais na guerra, restando-lhe somente uma filha que não pode viajar com ele.

O rapaz perguntou se era muito difícil para ele sair de sua terra, ele respondeu que morava em uma fazenda e nunca tinha saído e nem conhecia nada além dos campos da fazenda em que viveu.

Foi obrigado a sair de lá, mas quando chegou ao mar e escutou aquele som característico do mar, ele se sentiu agraciado por Deus e sua imensidão. Decidiu então que era preciso viajar e conhecer mais do mundo (recomeçar).

O “Mil e Novecentos” era um excelente pianista, tinha o dom natural para tocar, o viajante italiano também era músico e tocava uma sanfona.

Várias cenas depois... o Mil e Novecentos se encanta por uma moça que viajava na terceira classe do navio, que era o seu mundo, então ele passa a espreitá-la, sem coragem para conversar com a moça... ele só conseguiu conversar poucos minutos com ela antes dela desembarcar, e sendo ele também um excelente observador ele descobriu por poucas palavras que ela proferiu para ele, que essa moça era a filha do imigrante italiano, que conheceu o mar e quis se libertar, conhecendo outras fronteiras do mundo.

A moça desembarcou deixando o endereço no pai em New York, ele quis visitá-la mas não teve coragem de sair do navio quando no meio da escada escutou o som do mar misturado ao som da metrópole, isso o assustou tremendamente, então ele recuou até morrer.

Para mim os motivos principais dele nunca deixar o navio, foram: ter nascido e criado a bordo; sendo que o pai postiço, antes de falecer acidentalmente, lhe recomendará com veemência para que ele nunca saísse do navio (excessivamente preocupado com o “Mil e Novecentos” e seu pai não queria que ele corresse nenhuma espécie de risco).

Teve um grande amigo, também músico, que tentou tirá-lo do navio após a 2ª guerra, o navio estava em cacos, todo o luxo de outrora se transformou em uma imensa sucata flutuante corroída.

O amigo não teve sucesso e o “Mil e Novecentos” afundou com o seu mundo, após este ter sido explodido.

Muito triste esse filme, mas ao mesmo tempo encorajador, gostei de verdade pena que nem me lembro do nome do filme.

Igreja matriz de Ipameri GO

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As igrejas matrizes de todos municípios evidenciam a importância da religião como agente socializador dos mais diversos povos.